No forum do Trioeste discute-se a forma de contornar o efeito das correntes numa prova de triatlo. Não sendo um assunto da minha área e longe de querer dar indicações de nadador experimentado de Aguas Abertas que na realidade não sou, fico com um sabor amargo ao trabalhar conjuntamente com triatletas na poupança de alguns segundos ( a tal coisa dos objectivos) para em breves instantes ver que andam perdidos na molhada levados pelas correntes e ondulações com perda de tempo e esforço desnecessárias.
Transcrevo aqui algumas linhas
"davidc. escreveu:
>atenção o caminho mais curto entre duas boias nem sempre é a linha recta..., verifiquem a corrente e façam contas com isso, no rio não há que enganar contra a corrente usar a margem a favor ir pelo meio do rio!!!"
"Deixa lá ver se entendi bem... Então a distância mais curta entre dois pontos não é uma linha recta???? Aquele professor de trigonometria andou-me a enganar estes anos todos???
Não querias dizer o caminho mais RÁPIDO entre duas bóias??
Seja como for acho que o caminho mais rápido e mais curto são o mesmo, a forma de o conseguir é que diverge conforme se há corrente ou não.
E aqui tem que se introduzir conceitos de navegação um pouco mais complicados como rota e rumo, sendo a rota a tal linha recta que une dois pontos e o rumo o ponto para onde se aponta quando nadamos. Se não houver corrente (como numa piscina) a rota e o rumo são coincidentes, ou seja a linha que fazemos na àgua coincide com o ponto para onde apontamos. Se houver corrente o caso muda de figura, por ex: se a corrente vier da esquerda, para cumprirmos a linha recta entre as duas bóias (rota) termos que fazer um rumo à esquerda da bóia (apontar a um ponto à esquerda) e tentar que esse rumo seja o suficiente para compensar a corrente e navegarmos numa linha recta (caminho mais curto entre as bóias). Aqui é que está a grande dificuldade, ajustar a correcção e arranjar o rumo correcto para fazer a rota correcta, ou seja a mais curta! Tudo isto é ainda mais difícil para quem vai no meio da molhada com poucas referências além das toucas dos que vão à frente e os pés que escolheram para seguir. E se a malta da frente não navegar bem, vemos aquelas imagens habituais em que o pelotão parece uma meia lua com os ultimos do grupo a nadarem uns bons metros ao lado da linha ideal de tanto serem arrastados pela corrente, e os primeiros a corrigirem a rota quando se aproximam da bóia."
Concentremo-nos um pouco na Rota que no fundo é "nadar a direito".
Como é que sabem que nadam a direito?
Se vendassem os olhos e vos dissessem para nadar 10 min onde iriam parar?
A experiência diz que o mais provável é nadar em círculo ou seja ao fim de 10min (ou menos)estariam no mesmo local de onde tinham partido!
Claro que falamos de uma hipótese Académica, mas por quanto tempo nadaremos em círculo se perdermos as nossas referências por 3minutos?
Qual dimensão e forma do nosso círculo?
Para realmente saberem como é a vossa natação no que respeita a rotas, dirijam-se a uma piscina de 50mts ( se não houver de 50, então de 25mts), de preferência sem as "cordas das pistas colocadas" nadem 50mts (na companhia de um guia) tendo como referência de partida a linha negra no fundo e quando alcançarem a parede meçam o desvio e o tempo realizado.
Na posse desses dados e com um pouco de geometria conheceremos a dimensão do vosso círculo.
Até breve.
Quinta-feira, 6 de Maio de 2010
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